13 de outubro de 2026, a noite em que o Gemini 4 Argon foi aberto a todos
Simon Willison, um desenvolvedor que dá a mesma tarefa a cada modelo novo, pede ao Argon que desenhe um pelicano andando de bicicleta. Recebe três desenhos e chama todos de "excelentes": quadro da bicicleta preciso, um peixe na cesta, um cachecol e os pés nos pedais.
Na mesma noite, um designer de interfaces que testou o Argon em código e em trabalho de agente resume tudo em uma linha: Opus 5.5, depois GPT-6 Astra, e só então o Argon.
O pelicano está ótimo e custou 17 centavos. Nas tarefas pelas quais uma empresa paga, como o código de um site, o ranking é outro.
O Gemini 4 Argon é o modelo mais forte que o Google já lançou. Foi anunciado em 30 de setembro e aberto a todos em 13 de outubro. Na tabela que o Google publicou, ele tira a nota mais alta em 13 de 19 testes e, contra o Claude Opus 5.5, o modelo que hoje lidera os índices independentes, vence em 14 de 18.
Trabalho todos os dias com modelos da Anthropic, da OpenAI e do Google, e desde o lançamento acompanhei três tipos de evidência: a tabela do Google, testes de entidades independentes e verificações de desenvolvedores que rodaram a mesma tarefa no Argon e no Opus. Eu mesmo não rodei o Argon em tarefas de clientes. Ao longo do texto, marco o que é fato e o que é opinião minha.
Em resumo
- O Gemini 4 Argon é um salto real para o Google, mas não é o modelo líder. No índice independente da Artificial Analysis ele tira 53, como o GPT-6 Astra, contra 58 do Claude Opus 5.5.
- Ele é bem mais barato, por enquanto. Uma tarefa média custa nele cerca de um terço do que custa no Opus 5.5 e, em alguns testes de construção visual, menos de um quinto. A partir de 1º de dezembro o preço por token dobra e se iguala ao do Opus.
- Suspeita de benchmaxxing, ou seja, um modelo treinado para se destacar justamente nos testes conhecidos. Na tabela do Google, o Argon lidera. Em dois de quatro testes de código novos, ele está no nível a que a fronteira chegou em julho, e em dois, no nível de setembro.
- Minha opinião: um modelo bom e eficiente, sobretudo para escrita, idiomas além do inglês, documentos e tarefas de negócio bem definidas. Para código e para trabalho em que a qualidade é o produto, o Opus 5.5 ainda está à frente.
O que é o Gemini 4 Argon, e por que demorou duas semanas para ser liberado
O Argon é o modelo grande da família Gemini 4 e foi feito para o raciocínio mais difícil. Ao lado dele, o Google mantém modelos separados: Gemini 3.8 Flash para velocidade, Nano Banana para imagens, Omni Flash e Gemini 3.8 TTS para voz, e Lyria para música. Até agora o modelo mais forte do Google era o Gemini 3.1 Pro, e a versão 3.5 Pro, prometida para junho, foi cancelada no caminho.
Em 30 de setembro o Google anunciou o Argon, mas o abriu só para um grupo fechado de defensores de cibersegurança, dentro de um programa chamado Fairwind. Em 13 de outubro, 13 dias depois, ele foi aberto a todos:
Fontes: anúncios de lançamento do Google (30/9 e 13/10), tabela de preços da Gemini API e página do modelo para desenvolvedores. Se o conceito não for familiar, explicamos o que é um token em um artigo separado.
Onde dá para usá-lo hoje:
- No aplicativo Gemini: para assinantes do Google AI Pro e do Ultra. Quem usa de graça não tem acesso.
- Na API, a conexão direta para desenvolvedores e sistemas: só no plano pago. Não há plano gratuito.
- Na ferramenta de código do Google, o Antigravity: só para assinantes do Ultra.
A explicação oficial para o atraso é segurança. O Google escreveu que um lançamento em etapas é necessário para liberar capacidades desse nível com segurança, e participou de um programa voluntário do governo dos EUA que recebe acesso antecipado aos modelos. No documento do modelo, afirma que não pode descartar que o Argon tenha ultrapassado o limite crítico que ele mesmo definiu para capacidades de cibersegurança. O que eu penso sobre o atraso está na seção de opinião.
Uma coisa que vale saber antes de continuar: o Argon em si só gera texto. Nas demonstrações do Google, as imagens vieram do Nano Banana, os sons do motor do Omni Flash, a narração do Gemini 3.8 TTS e a música do Lyria. O Argon orquestra esses modelos e escreve o código. A força do Google em imagem, vídeo e design é da família inteira, não de um único modelo.
A tabela do Google: 13 vitórias em 19
O Google publicou uma tabela com 19 testes, em que o Argon enfrenta três concorrentes: o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Claude Fable 5.1 e o Claude Opus 5.5, da Anthropic. Em cada linha, a nota mais alta está marcada em verde, e um rótulo indica as linhas em que o próprio Google rodou o Argon:
A tabela que o Google publicou, em português: a nota de cada modelo em cada teste
| O teste | Gemini 4 Argon | GPT-6 Astra | Claude Fable 5.1 | Claude Opus 5.5 |
|---|---|---|---|---|
| Trabalho profissional | ||||
| Índice de trabalho profissionalVals Index | 68.9 | 63.1 | 65.8 | 67.0 |
| Automação de processos de negócioAutomationBench | 51.3 | 41.4 | 31.4 | 42.5 |
| Análise financeiraVals Finance Agent v2 | 65.4 | 53.5 | 58.9 | 58.6 |
| Trabalho jurídicoHarvey Legal Agent | 19.6 | 5.4 | 6.7 | 3.8 |
| Código | ||||
| Código em projetos longos Medido pelo GoogleDeepSWE v1.1 | 77.9 | 74.1 | 67.4 | 74.2 |
| Tarefas de código longas e novasFrontierSWE v2 | 55.0 | 65.5 | 56.3 | 62.3 |
| Construir um aplicativo a partir de uma descriçãoVibe Code Bench | 91.9 | 89.6 | 90.3 | 90.3 |
| Trabalho na linha de comando Medido pelo GoogleTerminal-Bench 4.0 | 57.4 | 58.2 | 57.9 | 66.4 |
| Treinamento de modelos Medido pelo GooglePostTrainBench | 45.3 | 44.3 | 40.2 | 49.3 |
| Ciência e matemática | ||||
| Ciência na linha de comando 6 vezes mais tempo no testeTerminal-Bench Science | 57.6 | 68.1 | 52.6 | 63.3 |
| Pesquisa biológica Medido pelo GoogleLABBench 2 | 88.8 | 85.4 | 68.6 | 73.1 |
| Matemática de pesquisaRiemannBench | 76.0 | 72.0 | 65.6 | 69.6 |
| Documentos longos, computador e imagem | ||||
| Encontrar informação em texto de até 128 mil tokens Medido pelo GoogleGraphWalks | 99.7 | 98.7 | 91.4 | 90.6 |
| Encontrar informação em texto de 256 mil a 1 milhão de tokens Medido pelo GoogleGraphWalks | 84.2 | 71.8 | 65.0 | 66.8 |
| Tarefas longas de agente no computador Medido pelo GoogleAgent's Last Exam | 39.5 | 34.2 | — | 38.2 |
| Operar um computador Melhor de 3 execuçõesOSWorld-2.0 | 69.2 | 72.6 | — | — |
| Leitura de gráficosChartography | 71.6 | 71.0 | 46.2 | 66.3 |
| Compreensão de vídeos longos Condições diferentes por modeloLVBench | 91.7 | 87.5 | 79.7 | 83.7 |
| Encontrar falhas de segurança no códigoCWE-bench v1 | 68.0 | 68.0 | 58.0 | 67.0 |
A nota mais alta da linha. "Medido pelo Google": o próprio Google rodou o Argon e, às vezes, também os concorrentes. A maior parte das notas dos concorrentes o Google tirou do que as próprias fabricantes divulgaram. Fonte: anúncio de lançamento do Google e documento de metodologia. Tradução e marcações nossas.
No papel, é uma vitória clara. Mas quem lê o documento de metodologia que o Google publicou junto com a tabela encontra três coisas que mudam o quadro.
A primeira: parte das condições favorece o Argon. Em operar um computador, a nota do Argon é a melhor de três execuções. No teste de ciência na linha de comando, ele teve 6 vezes mais tempo do que o normal. Em compreensão de vídeo, cada modelo viu uma quantidade diferente de quadros do vídeo. Tudo isso está escrito no documento, e nada disso está na tabela.
A segunda: faltam dois concorrentes. O Claude Sonnet 5.5 e o GPT-6.1 Sol custam o mesmo que o Argon no preço de lançamento, 2 e 10 dólares (no Sol, até 272 mil tokens de entrada), e nenhum dos dois está na tabela. O Sonnet 5.5 tira até uma nota mais alta no índice da Artificial Analysis: 56 contra 53. Quem escolhe modelo pelo preço deveria comparar o Argon justamente com eles.
A terceira: onde o Argon perde. Dos quatro testes de código, ele perde em dois: o FrontierSWE, com tarefas longas e novas, e o Terminal-Bench. O Google não escreveu em lugar nenhum "o melhor modelo do mundo", mas escreveu que o Argon "supera outros modelos líderes em testes de todas as áreas". Essa parte não se sustenta quando se olha para código.
O que dizem as entidades independentes
A tabela de uma fabricante é um boletim em que o aluno escolheu quais notas incluir e contra quem. Para saber onde o Argon realmente está, é preciso olhar para entidades que rodam todos os modelos nas mesmas condições. Este é o índice geral de uma delas:
Índice da Artificial Analysis (versão 4.3): nota geral e data de lançamento do modelo
Fonte: Artificial Analysis, Intelligence Index v4.3, em 14 de outubro de 2026. O nível de raciocínio é quanto tempo o modelo "pensa" antes de responder: mais raciocínio, nota mais alta e também custo mais alto. O Argon foi medido no nível alto (High), e o Opus 5.5 no nível máximo (Max). Datas de lançamento conforme os anúncios das fabricantes.
Nesse índice, o Argon fica abaixo do Opus 5.5 e do Sonnet 5.5, empatado com o GPT-6 Astra e o Claude Fable 5.1, lançados no início de setembro. É um nível muito bom, mas não o topo da tabela.
Nas demais fontes independentes, o quadro se divide conforme o tipo de trabalho:
Onde o Argon lidera
- Arena, texto: primeiro lugar, 1525 pontos, em um ranking preliminar de cerca de 4.900 votos. As pessoas escrevem uma pergunta, recebem duas respostas sem saber de qual modelo e escolhem. Primeiro também em idiomas além do inglês
- Vals Index: 68,9 contra 67,0 do Opus 5.5, pela metade do custo
- APEX-Agents: tarefas de analistas e consultores, 82,4 contra 73,5
- Menos invenções: quando não sabe a resposta, ele inventa só em 15% dos casos, o menor índice entre os modelos fortes no teste da Artificial Analysis
Onde o Argon fica atrás
- Arena, construção de sites: 8º lugar, 1680 pontos contra 1820 do Opus 5.5
- CursorBench: tarefas internas de código do Cursor, 52,9 contra 56,0 do Opus no nível High e 57,8 no Max
- FrontierCode: um novo teste de código da Cognition, 47,6 contra 54,6
- Tarefas profissionais julgadas por especialistas: no teste GDPval-AA da Artificial Analysis, 1624 contra 1866 pontos
Fontes: Arena (30/9), Vals AI (30/9), dados da Epoch AI que incluem o CursorBench, o FrontierCode e o APEX-Agents (14/10), Artificial Analysis (14/10).
O padrão se repete: em escrita e em tarefas de negócio com resposta verificável, o Argon lidera ou fica perto do topo. Em código, construção de interfaces e tarefas profissionais cuja qualidade é julgada por especialistas, ele fica atrás. Nas duas listas há testes novos e privados, então a diferença depende do tipo de trabalho. Ainda assim, na lista vermelha se destacam os testes de código novos.
benchmaxxing: o Argon "treinou para a prova"?
benchmaxxing é o apelido de um modelo treinado para se destacar justamente nos testes conhecidos. Uma comparação: dois alunos tiram nota máxima no vestibular. Um estudou a matéria, o outro resolveu todas as provas dos anos anteriores. Na próxima prova, com perguntas que nunca viram, a diferença entre eles vai aparecer. É importante ser preciso: isso não é trapaça. É uma decisão sobre onde investir o treinamento, e o resultado é um modelo que parece melhor na tabela do que no trabalho.
Em 30 de setembro, dia do anúncio, a Bloomberg noticiou que funcionários do Google dizem exatamente isso sobre o Argon: que ele mostra boas notas nos testes e se sai pior quando é posto para trabalhar, sobretudo em design de interfaces. Segundo a reportagem, duas pessoas que conhecem o modelo disseram que o Gemini 4 "parece afetado" por esse processo. O Google disse que "não é correto afirmar que o Gemini 4 está atrasado em áreas como código" e divulgou um dado interno: entre os engenheiros da empresa, 35% mais código escrito por agentes de IA e quase um terço menos alterações revertidas.
O teste do pelicano
O teste do pelicano de Simon Willison é um teste informal antigo: "desenhe um pelicano andando de bicicleta", em código de um arquivo SVG. Todo modelo novo passa por ele, e um bom resultado se espalha rápido. O Argon entregou um pelicano excelente, a um custo de 17 centavos.
O próprio Willison não afirma que o Google treinou o Argon no pelicano. Mas ele observa que o Google é o único laboratório em que, até onde ele sabe, os funcionários investiram especialmente em desenhos SVG. Na discussão no Hacker News, alguns comentaristas perguntaram se o teste "já está queimado". É o destino de todo teste famoso: quando todo mundo o conhece, ele mede menos.
O teste que eu fiz: em que mês o Argon está?
Para checar minha impressão de que pelicanos não são tudo, peguei os quatro testes de código mais novos que têm resultado do Argon e vi quem ele supera e para qual modelo ele perde. A data é a de lançamento do modelo:
Quatro testes de código novos: entre quais modelos o Argon está
| O teste e a nota do Argon | Onde ele está |
|---|---|
| Arena, construção de sites · 1680 | Abaixo do Claude Opus 5, de julho (1687), acima do Kimi K3, de julho (1674) |
| FrontierCode · 47.6 | Colado no Grok 4.7, de setembro (47.6), e no GPT-5.6 Sol, de julho (47.5), abaixo do Claude Fable 5, de junho (53.5) |
| FrontierSWE · 55.0 | Abaixo do Claude Fable 5.1, de setembro (56.3), acima do Claude Opus 5, de julho (52.0) |
| CursorBench · 52.9 | Abaixo do Claude Sonnet 5.5, de setembro (55.5), acima do Claude Fable 5.1, de setembro (51.8) |
Fonte: dados da Epoch AI, que reúnem os rankings da Arena, da Cognition, da Proximal e do Cursor (baixados em 14/10/2026). Cada modelo na melhor configuração medida para ele. No FrontierCode, cada empresa rodou seu modelo em uma ferramenta diferente, então a comparação não é totalmente controlada.
Em dois dos quatro testes, construção de sites e FrontierCode, o Argon fica abaixo do Claude Opus 5, do fim de julho, no nível de modelos de meados de julho. No FrontierCode, ele fica até abaixo do Claude Fable 5, de junho. Ou seja, em trabalho de código e design de interfaces, o Argon está onde a fronteira estava cerca de três meses atrás, e isso bate com o que vejo nos exemplos. Nos outros dois testes ele fica mais perto, no nível de setembro.
E o que contradiz a suspeita
Nem todas as evidências apontam na mesma direção:
- A Arena é um teste em que é muito difícil treinar para a prova. As perguntas são escritas todos os dias, do zero, por pessoas, e o Argon é o primeiro lá em texto. Por outro lado, a Arena mede o que as pessoas preferem ler, e um modelo pode aprender a escrever respostas que as pessoas gostam de escolher. O pesquisador Teortaxes escreveu que o Argon talvez esteja "ajustado a dados de preferência" e que, nos testes em que é mais difícil treinar para a prova, as notas dele impressionam.
- Em testes novos que não são de código, o Argon é forte. Ele é o primeiro no APEX-Agents (tarefas de analistas e consultores) e no Blueprint-Bench 2 (raciocínio espacial), e no Vending-Bench 2 (gestão de um negócio simulado) ele supera o Opus 5.5, embora não o GPT-6 Astra.
- Leon Lin, que testou o Argon antes do lançamento, escreveu que ele "não é tão benchmaxxed quanto muita gente pensa" e, no mesmo tweet, que ele não é bom em interfaces e animação e que "não tem bom gosto".
Ver o tweet de Leon Lin no X, 13 de outubro de 2026
Minha conclusão a partir dos dados: o benchmaxxing não explica o modelo inteiro. Ele explica principalmente a distância entre o que o Google afirma sobre código e o que acontece nos testes de código novos e no trabalho em si. Em escrita e em tarefas de negócio com resposta clara, o Argon é forte de verdade, inclusive nos testes em que é difícil treinar para a prova.
Exemplos de campo: Argon contra Opus 5.5
Nas primeiras 24 horas, desenvolvedores rodaram o mesmo pedido nos dois modelos. Aqui estão dois testes a favor do Argon, um a favor do Opus e um relato sobre cota de uso.
Lâmpada de lava, 18 centavos contra 1,27 dólar. A BridgeMind roda uma tarefa fixa em cada modelo: construir uma lâmpada de lava em 3D. O Argon terminou em menos de dois minutos, por 18 centavos, com vidro limpo e lava de verdade. O Opus 5.5 trabalhou nove minutos e meio, por 1,27 dólar.
Ver o tweet e o vídeo da BridgeMind no X, 13 de outubro de 2026
O mesmo pedido, 1,2 contra 8,2 dólares. O desenvolvedor J A Z I I deu aos dois modelos o mesmo pedido, no nível de raciocínio mais alto. Segundo ele, os resultados saíram "quase idênticos", e o Argon custou 15% do preço.
Ver o tweet e o vídeo de comparação de notjazii no X, 13 de outubro de 2026
Código e trabalho de agente: o Opus está à frente. O designer jumperz escreveu que ficou impressionado com o que o Argon faz com visuais e documentos complexos, mas que em código e em trabalho de agente "o Opus ainda está muito à frente", e que este não é um salto grande o bastante.
Ver o tweet de jumperz no X, 13 de outubro de 2026
A cota de uma semana em meia hora. ashen_one rodou três testes simples, incluindo um clone de Minecraft, e escreveu que os resultados "não são impressionantes" e que os testes consumiram toda a cota semanal da assinatura de 100 dólares por mês em 30 minutos. E para quem está pensando em assinar: o Google não divulgou quanto uso do Argon cada plano inclui.
Ver o tweet de ashen_one no X, 13 de outubro de 2026
No Hacker News, na thread do lançamento, o quadro é parecido. Alguns comentaristas escreveram que o Opus 5.5 é "o melhor modelo de código por consenso", e outros elogiaram o Argon pelo raciocínio claro e direto e pela velocidade. Alguns relataram falhas no primeiro dia: loops de raciocínio que não terminam e erros de servidor.
Quanto o Argon custa de verdade: um quinto, um terço ou o mesmo que o Opus
A afirmação de que o Argon faz o mesmo trabalho por um quinto do preço do Opus é verdadeira em parte dos casos. Tudo depende do tipo de tarefa e da data:
O custo do Argon como porcentagem do custo do Claude Opus 5.5 no mesmo trabalho
Fontes: BridgeMind e notjazii no X e OhMyUnicorn (13/10), Artificial Analysis (14/10), Vals AI (30/9), Cursor (14/10). No CursorBench a barra é cortada em 100%: lá o Argon custou mais que o Opus.
Três coisas saem do gráfico:
- Em construção visual pontual, a diferença é grande. Em dois testes o Argon custou cerca de um sétimo do Opus e, no terceiro, o da OhMyUnicorn, cerca de 60%. O Argon termina rápido e para. O Opus continua polindo e, no teste da OhMyUnicorn, verificou três vezes a página que construiu.
- Em trabalho amplo, o Argon custa cerca de um terço no preço de lançamento, e de metade a dois terços no preço de dezembro. Ali o Opus foi medido no nível Max, o mais caro. Segundo a Artificial Analysis, a economia vem principalmente do preço baixo por token. O Argon consome cerca de 62 mil tokens de saída por tarefa, metade do Opus, mas 2,3 vezes o GPT-6 Astra.
- Em código complexo, a economia pode desaparecer. No CursorBench, o Argon custou 4,57 dólares por tarefa, contra 3,97 do Opus 5.5 em um nível de raciocínio parecido. A própria Cursor escreveu que, nesse teste, o Argon está "no nível do Opus 5.5", e na nota ele de fato fica perto, cerca de 3 pontos abaixo.
E a data para marcar na agenda: 30 de novembro. Até lá, o Argon custa 2 dólares por milhão de tokens de entrada e 10 de saída, como o Claude Sonnet 5.5 e o GPT-6.1 Sol. A partir de 1º de dezembro, o preço sobe para 4 e 20, exatamente o preço do Opus 5.5. Quem monta hoje um processo em cima do Argon por causa do preço deve fazer as contas desde já pelo preço de dezembro.
Onde o Google realmente lidera
Este não é um artigo contra o Google. Há áreas em que, na minha opinião, o Google é especialmente forte, e elas importam para a maioria das empresas mais do que os testes de código:
Linguagem natural em qualquer idioma
- O Argon é o primeiro na Arena também em idiomas além do inglês e, separadamente, em russo e em chinês
- A escrita dos modelos Gemini com que trabalhei soa como de uma pessoa, não como tradução. É uma impressão minha
- Em hebraico e em árabe ainda não há medição estruturada, então vale testar com um texto seu
Uma família que faz tudo
- Imagens no Nano Banana, vídeo, voz e música, tudo na mesma empresa
- O Argon escreve o código e orquestra os outros modelos
- Compreensão de vídeo: 91,7 no LVBench, segundo medição do Google
Menos invenções
- Quando não sabe, ele inventa só em 15% dos casos, contra mais de 50% nos modelos GPT-6
- Ele sabe menos fatos que o Opus, mas admite quando não sabe
- Importante para um agente que responde a clientes. O que são alucinações de IA
Documentos longos
- Janela de 1 milhão de tokens, sem acréscimo de preço para documentos longos
- Na tabela do Google ele lidera em encontrar informação em textos muito longos, mas no teste independente AA-LCR o Opus fica à frente: 85 contra 80
- Um usuário relatou que, na ferramenta Copilot, o sistema já resume a conversa por volta de 400 mil tokens
Minha opinião: por que o Google, com todos os recursos, ainda está atrás
Aqui passo dos fatos para a interpretação.
O Argon é uma melhora real, e não acho que o Google tenha mentido. Mas acho, sim, que ele o apresentou como um modelo que lidera o mundo, e não é o caso. E, pessoalmente, quando uma empresa apresenta números que não se sustentam na prática, isso reduz minha confiança. Na próxima tabela do Google, vou ler primeiro o documento de metodologia, e só depois a tabela.
Eu acredito no Google. Ele tem os pesquisadores, os chips, os dados e bilhões de usuários. Justamente por isso vale perguntar por que ainda está atrás. Minha resposta: o Google é uma empresa de capital aberto, em uma área nova e arriscada.
- A pressão para mostrar resultados. A Alphabet tem compromissos com investidores, e cada lançamento também é medido na bolsa. Segundo a Bloomberg, a ação subiu cerca de 1,7% no pregão seguinte ao anúncio e devolveu parte da alta depois da reportagem sobre o ceticismo dos funcionários. Quando o mercado reage a uma tabela, há um incentivo forte para escolher os testes e os concorrentes que a favorecem.
- Menos liberdade para andar rápido. Como assinante, vi a Anthropic e a OpenAI mudarem várias vezes a quantidade de uso que cada assinatura dá. Em junho, foi movida contra a Anthropic uma ação que pede para ser coletiva, alegando que as cotas de uso das assinaturas Max são menores do que o divulgado. São alegações que ainda não foram julgadas. Na minha opinião, para uma empresa de capital aberto do tamanho do Google, um passo desses pode custar uma ação coletiva na casa dos bilhões, e por isso ela é mais limitada a cada passo. Acredito que a mesma cautela vale para a segurança.
- Segurança. O Google abriu o Argon primeiro para um grupo fechado de defensores de cibersegurança. Em uma área como cibersegurança, é a decisão certa, mas custa tempo, e concorrentes menores andam mais rápido.
Sobre o atraso de duas semanas, tenho mais uma hipótese: que o primeiro grupo que trabalhou com o modelo viu que os resultados na prática eram piores do que a tabela promete. Não tenho fonte para isso. A explicação oficial do Google é só segurança, e isto é uma impressão minha, não um fato. O que está documentado: o Gemini 3.5 Pro, prometido para junho, foi cancelado, e funcionários do Google disseram à Bloomberg que o Argon é mais fraco no trabalho do que nos testes. Essa reportagem saiu no dia do anúncio, então não explica o atraso em si.
Onde o Argon está no Sigma AI Ranking
O Argon entrou no Sigma AI Ranking em 13 de outubro com a marcação "nota preliminar", porque só uma fonte, a Arena, o havia medido. Na atualização de 14 de outubro entraram o preço, o teste de conhecimento da Epoch AI e os rankings completos da Arena, e ele recebeu uma nota completa. O resultado provavelmente vai surpreender quem leu até aqui:
Sigma AI Ranking: nota ponderada, em 14 de outubro de 2026
Fonte: Sigma AI Ranking da Platin Digital, que pondera fontes abertas (Epoch AI, Arena, Terminal-Bench e tabelas de preços oficiais). Pelas regras do ranking, uma diferença de menos de 2 pontos para o líder conta como empate.
O Argon em segundo lugar, 0,9 ponto atrás do Opus 5.5, e pelas nossas regras isso é empate no topo. Não mudamos o método para que o resultado combinasse com a minha opinião, por isso é importante explicar o que está por trás do número:
- A escrita e a confiabilidade vêm da Arena. Lá o Argon é o primeiro, porque as pessoas preferem as respostas dele. É a força real dele, e também o ponto em que a suspeita de "ajuste a dados de preferência" é relevante.
- A nota dele como agente é estimada. O Argon ainda não tem resultado no Terminal-Bench, nossa principal fonte para trabalho de agente e código, por isso a nota foi calculada a partir de fontes equivalentes e aparece marcada com ≈ na página. A nota de capacidade geral também é estimada, porque a Epoch AI ainda não publicou o índice geral dela para ele. Nenhum dos testes de código novos da seção sobre benchmaxxing entrou no cálculo, porque eles não têm licença aberta.
- O preço é o de lançamento. O ranking calcula o custo pelo preço atual, 2 e 10 dólares. Pelo meu cálculo, em 1º de dezembro, quando o preço dobrar, o Argon cairá para cerca de 88,3 e sairá do empate.
Em outras palavras, o Sigma mostra exatamente o que o artigo descreve: nas fontes que medem escrita, conhecimento e preço, o Argon está no topo, e a fraqueza dele está onde as fontes abertas ainda não chegam. Quando sair um resultado no Terminal-Bench, a nota será atualizada. Por que criamos um ranking próprio, e por que ele se apoia só em fontes abertas, explicamos no artigo sobre o Sigma AI Ranking.
Para quem o Gemini 4 Argon serve, e para quem ainda não
Serve
- Escrita e conteúdo, sobretudo em idiomas além do inglês
- Resumo e análise de documentos longos, vídeos e gráficos
- Trabalho de escritório e financeiro com um fim claro
- Agente que responde a clientes, quando é importante que ele não invente respostas
- Construção visual rápida, quando um bom rascunho basta
Testar antes
- Todo processo montado por causa do preço: a partir de 1º de dezembro ele dobra
- Assinatura no aplicativo: não há dado oficial sobre quanto uso do Argon ela inclui
- Hebraico e outros idiomas sem medição: ainda não há teste estruturado, só impressões
Ainda não
- Desenvolvimento de software complexo e trabalho longo em código existente
- Design de interfaces e sites, em que o bom gosto é o produto
- Tarefa em que a qualidade pesa mais que o preço
Argon ou Opus 5.5 para a sua próxima tarefa?
Cinco perguntas sobre uma tarefa que você está avaliando. Depois do resultado, rode a tarefa uma vez nos dois modelos e confira a conta.
Quatro coisas que se dizem sobre o Argon, e o que é verdade
Mito"O Google lidera a tabela, então é o melhor modelo do mundo"
Na práticaO Argon lidera em 13 de 19 linhas da tabela do Google. No índice independente da Artificial Analysis, ele tira 53, contra 58 do Claude Opus 5.5 e 56 do Claude Sonnet 5.5.
Mito"O Argon custa um quinto do Opus"
Na práticaEm dois testes de construção visual, até menos. Em trabalho amplo, cerca de um terço no preço de lançamento. Em código complexo, pode custar mais. E a partir de 1º de dezembro o preço por token é igual ao do Opus 5.5.
Mito"benchmaxxing é trapaça"
Na práticaÉ uma escolha sobre onde investir o treinamento. O modelo realmente sabe fazer o que o teste verifica, mas a nota reflete pior o que ele fará em uma tarefa nova.
Mito"O Argon cria imagens e vídeos"
Na práticaO Argon gera só texto e código. As imagens, a voz e a música são produzidas por outros modelos do Google, que o Argon sabe acionar.
O que isso significa para quem tem um negócio
Três conclusões práticas:
- Agora há três modelos fortes pela metade do preço por token do Opus: o Claude Sonnet 5.5 e o GPT-6.1 Sol de forma permanente, e o Argon até o fim de novembro. Para tarefas de escrita, documentos e atendimento ao cliente em idiomas além do inglês, o Argon é um candidato sério. É hora de testá-lo.
- Não se escolhe modelo pela tabela da fabricante. Leia quem mediu cada linha e em quais condições, e teste em uma tarefa real sua, com relógio e com a conta na mão. Escrevi sobre isso também no artigo sobre o Muse Wonder, da Meta: lá também a tabela da fabricante contou uma história diferente da dos testes de campo.
- Escolhe-se modelo por tarefa, não por empresa. Em três meses, a ferramenta líder mudou duas vezes, como descrevi no artigo sobre a volta por cima da Anthropic. Um bom agente pode trabalhar com o Argon na escrita e com o Opus no código.
A Platin Digital é OpenAI Select Partner, e os agentes que implantamos são construídos com os modelos e as ferramentas que melhor servem a cada negócio, da OpenAI, da Anthropic, do Google e de outros. O Argon entrou nos nossos testes de escrita e de trabalho em idiomas além do inglês. Para código e para trabalho em que a qualidade decide, por enquanto eu fico com o Opus 5.5.
Para continuar lendo: Gemini at Work 2026: o agente do Google para empresas, ChatGPT, Gemini ou Claude para o seu negócio e por que criamos o Sigma AI Ranking.
Perguntas frequentes
O que é o Gemini 4 Argon?
O Gemini 4 Argon é o modelo grande da família Gemini 4, do Google, anunciado em 30 de setembro de 2026 e aberto a todos em 13 de outubro. Ele recebe texto, imagens, áudio, vídeo e PDF, gera texto e tem uma janela de contexto de 1 milhão de tokens. Foi feito para raciocínio complexo, trabalho com documentos e trabalho de agentes.
Quanto custa o Gemini 4 Argon?
Na API, até 30 de novembro de 2026: 2 dólares por milhão de tokens de entrada e 10 dólares por milhão de tokens de saída. A partir de 1º de dezembro: 4 e 20 dólares, como o Claude Opus 5.5. Não há plano gratuito. No aplicativo Gemini, ele está disponível para assinantes do Google AI Pro e do Ultra, e o Google não divulgou quanto uso do Argon cada assinatura inclui.
O Gemini 4 Argon é melhor que o Claude Opus 5.5?
Na tabela do Google, o Argon vence o Opus 5.5 em 14 de 18 testes em que os dois foram medidos. No índice independente da Artificial Analysis, o Opus 5.5 lidera com 58 contra 53. O Argon lidera em escrita e em tarefas de negócio com resposta verificável. O Opus 5.5 lidera em código, construção de interfaces e tarefas profissionais julgadas por especialistas, inclusive em testes novos e privados.
O que é benchmaxxing?
benchmaxxing é o apelido de um modelo treinado para se destacar especialmente nos testes conhecidos, que todas as empresas divulgam. A nota nesses testes é alta, mas em tarefas novas o resultado é pior. Não é uma falsificação do resultado, e sim uma escolha sobre onde investir o treinamento. O jeito de identificar isso é comparar testes conhecidos com testes novos ou privados.
O Gemini 4 Argon escreve bem em idiomas além do inglês?
O dado mais próximo é a Arena, em que o Argon está em primeiro lugar em idiomas além do inglês. Ainda não há um teste estruturado do Argon em hebraico, o idioma em que trabalho. Pela minha experiência com o Gemini, a escrita dele em hebraico é mais natural que a da maioria dos modelos, mas isso é uma impressão, não uma medição. Se você trabalha em português, vale testá-lo com um texto real seu.
Por que o Google só abriu o Argon depois de duas semanas?
Segundo o Google, por motivos de segurança: lançamento em etapas, primeiro para defensores de cibersegurança no programa Fairwind, e participação em um programa do governo dos EUA de acesso antecipado a modelos. No documento do modelo, o Google afirma que não pode descartar que o modelo tenha ultrapassado o limite crítico que definiu para capacidades de cibersegurança. Em 13 de outubro, ele foi aberto para desenvolvedores e assinantes do Pro e do Ultra.
Fontes
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- https://blog.google/innovation-and-ai/models-and-research/gemini-models/introducing-gemini-4-argon/
- https://blog.google/innovation-and-ai/technology/developers-tools/build-with-gemini-4-argon/
- https://storage.googleapis.com/deepmind-media/Model-Cards/Gemini-4-Argon-Model-Card.pdf
- https://storage.googleapis.com/deepmind-media/gemini/gemini_4_argon_model_evaluation.pdf
- https://storage.googleapis.com/deepmind-media/gemini/gemini_4_safety_report.pdf
- https://ai.google.dev/gemini-api/docs/pricing
- https://ai.google.dev/gemini-api/docs/models/gemini-4-argon
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- https://www.thestar.com.my/tech/tech-news/2026/10/02/google-grapples-with-employee-scepticism-about-new-gemini-4
- https://venturebeat.com/technology/google-unveils-gemini-4-argon-retaking-benchmark-lead-over-openai-and-anthropic-but-in-limited-release
- https://www.khaleejtimes.com/business/google-announces-gemini-4-flagship-ai-model-after-months-of-delays-2
- https://www.techzine.eu/news/applications/144960/opinions-are-divided-on-gemini-4-argon/
- https://www.engadget.com/2194626/anthropic-hit-with-lawsuit-over-its-claude-max-usage-limits/



