Noite, fim de setembro
Um projeto interno meu, daqueles em que cada peça mexe em outras três. Fazia horas que eu tentava arrumá-lo com o GPT-6 Astra dentro do Codex, avançando devagar. O Opus 5.5 tinha acabado de sair, então dei a ele exatamente a mesma situação. Ele achou onde estava o problema, me explicou de um jeito que entendi de primeira e resolveu.
Desde então não parei de trabalhar com ele. E a pergunta que não me larga: como a Anthropic fez isso, depois de meses em que quase todo desenvolvedor que conheço migrou para o Codex?
O Claude Opus 5.5, lançado em 22 de setembro de 2026, é, no meu uso, de longe o modelo mais forte com que trabalhei este ano. Não era isso que eu esperava escrever. Nos meses anteriores, o Codex da OpenAI era a ferramenta que eu e a maioria das pessoas ao meu redor usava, e o Claude parecia ter ficado para trás. Este artigo tem três partes: o que vi no dia a dia, o que os números dizem (mesmo quando discordam de mim) e uma teoria minha sobre o motivo do salto. Ao longo do texto, marquei o que é verificado, o que é experiência pessoal e o que é hipótese.
Em resumo
- Do dia a dia: nos círculos em que trabalho, os desenvolvedores migraram nos últimos meses para o Codex com o GPT-5.6 Sol e o GPT-6 Astra. O Opus 5 e o Sonnet 5 decepcionaram, e o Fable foi muito restrito.
- O Claude Opus 5.5 mudou o quadro para mim: em problemas complexos, ele resolve o que me custou horas com o Astra e se explica melhor. O Sonnet 5.5 e o Haiku 5.5 seguem o mesmo salto.
- O que os dados mostram: no nosso Sigma AI Ranking, que pondera várias fontes abertas, o Opus 5.5 é o primeiro, com 90,7 contra 84,0 do Astra. Em um teste isolado, como o da Epoch, os dois ficam quase empatados, e explico por que um teste isolado não capta o que os desenvolvedores sentem.
- Minha teoria (hipótese, não fato): a OpenAI investiu em polimento e RL, e a Anthropic lançou um modelo grande e menos polido, o Fable. Se o Fable serviu de professor para a geração 5.5, isso explica o salto. Para o dono de um negócio, a conclusão é simples: não se casa com um fornecedor.
Os meses do Codex: o que vi ao meu redor
Passo o dia cercado de desenvolvedores de IA, e eu mesmo trabalho com esses modelos da manhã até a noite. O que descrevo aqui é observação, não pesquisa.
Nos últimos meses, quase todo desenvolvedor que conheço migrou para o Codex. Primeiro com o GPT-5.5, depois com o GPT-5.6 Sol e o GPT-6 Astra. O motivo não era só o modelo. O harness do Codex, ou seja, a camada que roda o modelo, gerencia os passos e aciona as ferramentas, simplesmente termina as tarefas. Trabalha em ordem, confere o próprio trabalho e não para no meio para fazer uma pergunta cuja resposta é óbvia. O computer use dele, a capacidade de o agente operar aplicativos no computador, é excelente. Segundo a documentação da OpenAI, o Codex opera o computador em segundo plano, e "multiple agents can work on your Mac in parallel". Essa diferença se sente já no primeiro dia.
Os dados públicos também apontam um movimento, embora com cautela: a OpenAI divulgou um salto no número de usuários do Codex depois do GPT-5.6, e a Anthropic aumentou três vezes os limites de uso do Claude Code. Os números da OpenAI incluem usuários do ChatGPT, e nas pesquisas o Claude Code ainda lidera o uso profissional. Então "todo mundo migrou" não é fato. "Quase todo mundo com quem trabalho migrou" é o que eu vi.
Onde o Claude nos perdeu: Fable, Opus 5 e Sonnet 5
O Fable foi muito restrito. Esta é a parte verificada. O Claude Fable 5 foi lançado em 9 de junho, como uma nova camada acima do Opus e com preço de API em dobro: 10 e 50 dólares por milhão de tokens. Três dias depois, o acesso foi suspenso por causa de controle de exportação dos EUA, e só voltou em 1º de julho. Mesmo quando estava disponível, a cota era estreita: hoje, segundo a página de suporte da Anthropic, no plano Max dá para usar o Fable até 50% da cota semanal, e no plano Pro ele só funciona com créditos pagos. A justificativa oficial no lançamento foi capacidade: a inclusão na assinatura seria ampliada "when sufficient capacity allows us to do so".
O Opus 5 foi uma decepção séria, e eu mesmo fiquei decepcionado. Ele saiu em 24 de julho. No meu uso, era preguiçoso, prolixo e confuso nas explicações. Eu fazia uma pergunta objetiva e recebia telas de texto que não chegavam ao ponto. O Sonnet 5, lançado em 30 de junho, era fraco. E o computer use do Claude, até hoje, é bem menos utilizável do que o do Codex no meu trabalho.
Quero ser justo aqui, porque os próprios documentos da Anthropic contam uma história um pouco diferente sobre o Opus 5, e volto a isso na seção sobre benchmarks. Já sobre o Sonnet 5, os números estão comigo: na tabela que a Anthropic publicou no card do Sonnet 5.5, o Sonnet 5 teve 10,3% no Terminal-Bench 4.0.
Claude Opus 5.5: o que mudou no meu trabalho
O Opus 5.5 não é uma melhora gradual na minha experiência. No projeto complexo do começo, ele resolveu coisas que me custaram horas com o Astra. Desde então, é o primeiro modelo que abro para qualquer problema em que é preciso entender um sistema inteiro, e não só executar uma lista de passos.
A segunda coisa que chama atenção: a Anthropic claramente trabalhou na forma como o 5.5 se comunica. Ele apresenta a situação, explica o que vai fazer e por quê, e quando termina, o resumo é curto e claro. Depois do Opus 5, parece outro modelo. A própria Anthropic escreve no guia de migração que instruções ajustadas ao comportamento do Opus 5 "may no longer be needed".
O Sonnet 5.5 e o Haiku 5.5 seguem o mesmo salto. Estes são os números que dá para conferir:
Fontes: página de lançamento e system card do Opus 5.5, system card do Sonnet 5.5 (tabela 8.1.A) e publicação da Epoch AI. Todos os números, exceto o da Epoch, são divulgados pela própria Anthropic.
A Anthropic faz mais duas afirmações que vale conhecer: que o Opus 5.5 "performs at the level of Claude Fable 5.1 on most work" e que ele exige menos compute para rodar do que o Opus 5. As duas voltam na teoria.
Por que os benchmarks não enxergam o que os desenvolvedores sentem
Agora a parte interessante. Em três pontos, os números complicam o quadro, e em dois deles eles simplesmente não concordam comigo.
Primeiro, Opus 5.5 contra Astra. Aqui o quadro depende do que se mede. No Sigma AI Ranking, nosso ranking que pondera várias fontes abertas em uma nota só (trabalho como agente, capacidade, escrita, confiabilidade e custo), a diferença é clara:
Sigma AI Ranking: nota ponderada, em 9 de outubro de 2026
Fonte: Sigma AI Ranking da Platin Digital, que pondera fontes abertas (Epoch AI, LMArena, Terminal-Bench e tabelas de preços oficiais). As notas são atualizadas toda semana.
Dois pontos se destacam nessa tabela. O primeiro: o salto dentro da própria Anthropic, de 83,0 para 90,7 no Opus e de 69,5 para 86,8 no Sonnet. O segundo, que é o que mais gosto: na subnota de escrita, o Opus 5.5 tem 97,1 contra 82,7 do Astra. É exatamente o que senti: o modelo novo explica melhor.
Um teste isolado conta uma história mais modesta. No índice da Epoch, o Opus 5.5 está em primeiro, mas "narrowly ahead of GPT-6 Astra", e, segundo uma análise dos intervalos de confiança, eles quase se sobrepõem. A METR escreve que ele é "an incremental improvement above Fable 5.1". Mesmo na tabela da própria Anthropic, o Astra lidera no Terminal-Bench-Science (64,6 contra 58,7) e no AutomationBench (41,4 contra 40,0).
Segundo, computer use. No OSWorld 2.0, segundo o BenchLM, o quadro é o oposto do que senti:
OSWorld 2.0: operação de computador, taxa de sucesso
Fonte: BenchLM, fonte secundária. Os laboratórios rodam versões diferentes do OSWorld, por isso números de anúncios distintos nem sempre são comparáveis diretamente.
Ou seja, no benchmark o Opus 5 passou o GPT-5.6 Sol, justamente no período em que eu e todos ao meu redor preferíamos o Codex para operar o computador.
Terceiro, o "preguiçoso". A própria Anthropic documenta os problemas do Opus 5, e eles são o contrário: respostas mais longas que antes, ampliação do escopo da tarefa, "over-verification" e tendência a delegar trabalho a subagentes. Ou seja, um modelo que faz demais.
Então quem está certo? Acho que os números estão corretos e medem outra coisa. Três razões:
- Benchmark mede uma tarefa isolada. Não mede o harness, o produto, nem uma sessão de quatro horas em que o modelo precisa lembrar o que foi decidido no início. O desenvolvedor não trabalha com um modelo. Trabalha com o Codex ou com o Claude Code, e isso é uma diferença enorme.
- Benchmark não mede comunicação. Um modelo que escreve três telas, amplia a tarefa, confere o próprio trabalho de novo e de novo e no fim não diz com clareza o que fez parece, visto de fora, exatamente um modelo que não fez o trabalho. "Preguiçoso" e "faz demais" são duas descrições da mesma experiência: não recebi o que pedi, de uma forma que eu consiga usar. Há também relatos anedóticos de que o Opus 5 parava cedo e pedia permissão para continuar, e é exatamente o que vivi.
- Computer use como produto não é uma nota. O OSWorld testa se o modelo consegue cumprir uma tarefa na tela. Não testa se ele roda em segundo plano enquanto eu trabalho, nem se vários agentes trabalham em paralelo. Isso o Codex entrega, e foi o que o transformou na nossa ferramenta do dia a dia.
E mais uma ressalva que vale para os dois lados: a METR encontrou no GPT-5.6 Sol uma taxa de trapaça em testes maior do que em qualquer modelo público que ela avaliou, e o card do Opus 5.5 também documenta reward hacking no treinamento. Quando os modelos aprendem a driblar verificações, os números também ficam menos confiáveis.
Linha do tempo: quem lançou o quê e quando
Para testar uma teoria, primeiro é preciso ter as datas. Todas as datas aqui vêm de anúncios oficiais ou de system cards.
Minha teoria: duas estratégias diante do mesmo momento
Aqui passo dos fatos para a interpretação. O que está escrito neste capítulo é uma hipótese minha, e é assim que convém lê-lo.
Em junho, os dois laboratórios estavam no mesmo ponto. A Anthropic lançou o Fable: uma série nova e maior, com alto potencial e menos polimento. Duas semanas e meia depois, a OpenAI apresentou o GPT-5.6 Sol: um modelo que, no meu uso, pareceu uma otimização massiva e RL (aprendizado por reforço, em que o modelo treina em tarefas e recebe uma nota pelo resultado). Muito metódico, confere bastante, termina o trabalho, mas sem romper o teto de capacidade.
A honestidade exige duas observações. A própria OpenAI chamou o GPT-5.6 Sol de "a next-generation model", e não existe fonte oficial dizendo que é a mesma base com mais RL. E o GPT-6 Astra, segundo reportagem da VentureBeat, foi a maior rodada de treinamento da OpenAI até hoje. Então não afirmo que a OpenAI "só fez RL". Afirmo que a ênfase estratégica era diferente: em junho, a OpenAI colocou na frente um modelo polido e confiável, e a Anthropic colocou na frente um modelo grande e não polido.
OpenAI: afiar o que já existe
GPT-5.6 Sol, junho e julho
- Metódico, confere o próprio trabalho, termina as tarefas (experiência minha)
- O system card: "overly persistent" e mais persistência que o GPT-5.5 (verificado)
- O preço: a METR encontrou recorde de trapaça em testes (verificado)
- METR: não é um avanço significativo sobre o estado atual (verificado)
- O que ele ensinou: talvez o Astra, segundo relato secundário (hipótese)
Anthropic: ampliar o teto
Fable 5, junho
- Nova camada acima do Opus, com preço em dobro (verificado)
- Menos polimento (minha impressão, sem fonte)
- Acesso muito restrito, com a justificativa de capacidade (verificado)
- Enquanto isso, desenvolvedores migram para o Codex (observação)
- O que ele ensinou: a geração 5.5 (hipótese)
E a peça que une tudo: laboratórios treinam os modelos seguintes com ajuda do mais novo modelo de ponta que têm. Não é segredo. A Anthropic escreveu em fevereiro de 2026 que "frontier AI labs routinely distill their own models" e definiu distillation como treinar um modelo mais fraco com as saídas de um modelo mais forte. A Meta escreveu publicamente que o Llama 4 Maverick foi treinado a partir do Llama 4 Behemoth. Em todo system card da Anthropic aparece "synthetic data generated by other models".
Se essa é a prática, então em junho cada laboratório também escolheu o professor da geração seguinte. O Fable "ensinou" a geração 5.5 da Anthropic, e o Sol 5.6 "ensinou" os modelos que vieram depois dele na OpenAI.
Simulados contra um grande professor
A forma mais simples que encontrei de explicar isso são dois alunos.
O primeiro faz simulado atrás de simulado. A cada rodada, recebe uma nota e corrige. Fica muito confiável: quase não erra a matéria que conhece, termina cada prova no tempo, confere as respostas. Mas não aprende um jeito de pensar que não tinha antes. Isso é RL.
O segundo senta ao lado de um grande matemático e vê como ele resolve problemas. Aprende caminhos a que não chegaria sozinho, e também o jeito como o matemático explica. Isso é um professor forte.
O primeiro aluno aumenta a confiabilidade. O segundo aumenta o teto. É assim que leio o que aconteceu: o Codex com o GPT-5.6 Sol foi o primeiro aluno no seu melhor, e a geração 5.5 da Anthropic me parece o segundo aluno.
A pesquisa tem algo a dizer sobre isso, dos dois lados:
- A favor. Yue e colegas (2025) concluíram que as capacidades de raciocínio após o RL "originate from and are bounded by the base model", e que justamente a distillation pode introduzir padrões novos de raciocínio vindos do professor. No DeepSeek-R1, um modelo de 32 bilhões de parâmetros treinado com as saídas de um modelo forte chegou a 72,6 no AIME, contra 47,0 só com RL. Uma pesquisa da Meta sobre escalar o RL concluiu que um modelo maior eleva o teto a que o RL consegue chegar.
- Contra. O ProRL, da NVIDIA, concluiu que um RL prolongado descobre estratégias que não existem no modelo base. Outra pesquisa mostra que, quando a distância entre professor e aluno é grande demais, o aluno aprende pior. O Llama 4 teve um professor gigante e foi recebido com decepção. E toda essa pesquisa foi feita com modelos bem menores que os de ponta.
Ou seja, a ideia de que o RL afia e o professor amplia tem apoio na pesquisa, mas é contestada. Não a apresento como lei da natureza.
O que é verificado e o que é hipótese
| A afirmação | Situação | Em que se apoia |
|---|---|---|
| A Anthropic restringiu muito o Fable | Verificado | Pro só com créditos, Max até 50% da cota semanal e justificativa oficial de capacidade |
| Laboratórios treinam modelos com as saídas de seus modelos mais fortes | Verificado como prática geral | Anthropic em fevereiro de 2026, Meta com o Behemoth, "synthetic data" nos system cards |
| A geração 5.5 saltou acima da geração 5 | Verificado, dados do fabricante | SWE-bench Pro e Terminal-Bench. Segundo a Epoch, o Sonnet 5.5 "roughly matched Claude Fable 5.1" |
| O RL afia e não amplia | Apoiado em pesquisa, contestado | Yue e DeepSeek-R1 a favor, ProRL contra, tudo com modelos pequenos |
| O Fable especificamente ensinou o Opus, o Sonnet e o Haiku 5.5 | Hipótese minha | Sem confirmação. Indícios: 5.5 no nível do Fable 5.1 e com custo de execução menor, e a Anthropic protege muito as saídas do Fable contra distillation |
| O compute do Fable foi desviado para o treinamento | Hipótese minha | A justificativa oficial é só capacidade. A demanda que cresceu 80 vezes no primeiro trimestre, segundo Amodei na CNBC, explica isso igualmente bem |
| O GPT-5.6 Sol ensinou o Astra | Hipótese com indício | Segundo a VentureBeat, no Astra modelos anteriores tiveram papel central no treinamento. Isso não consta do system card |
O elo fraco da minha teoria é o Opus 5. Ele saiu em 24 de julho, depois do Fable. Se o Fable foi o professor, por que o Opus 5 não se beneficiou? Minha explicação: uma rodada de treinamento leva meses, e o Opus 5 provavelmente já estava na reta final quando o Fable ficou pronto para ensinar em escala total. Mas o Mythos, a versão restrita da mesma série, já existia na Anthropic em abril, e não sei quando começou cada rodada. É a lacuna que mais me interessa ver fechada.
As outras explicações, e por que ainda volto ao professor
Há explicações mais simples para o salto. Algumas são mais bem documentadas que a minha teoria. Escolha a que lhe parecer mais convincente e veja o que a sustenta e o que lhe falta.
A minha explicação
O Fable ensinou a geração 5.5, e por isso o teto subiu.
A favor: o Opus 5.5 está no nível do Fable 5.1 segundo a Anthropic, é mais barato de rodar, e o Sonnet 5.5 está no nível do Fable 5.1 segundo a Epoch. É o padrão de um aluno que chegou ao nível do professor.
O que falta: não há confirmação oficial, e o Opus 5 saiu depois do Fable sem se beneficiar dele.
Correção do comportamento do Opus 5
O Opus 5 já era forte. No 5.5 só corrigiram a prolixidade.
A favor: no índice interno da Anthropic, o Opus 5 teve 165,18, acima do Mythos 5. Os problemas documentados eram de comportamento, e sumiram.
O que falta: isso não explica o salto do Sonnet de 10,3% para 70,6% no Terminal-Bench. E o polimento de comportamento é justamente o que um professor forte permite: as saídas dele ensinam também como explicar, não só o que pensar.
Mudança nas configurações
Mudaram o effort e o harness, não o modelo.
A favor: no Opus 5.5 o nível de esforço padrão é medium, contra high no Opus 5, e há raciocínio adaptativo em cada requisição. Em abril, a Anthropic já havia mostrado que uma queda de qualidade vinha de configurações do produto.
O que falta: baixar o esforço deveria gerar respostas mais curtas, não resolver problemas que outro modelo não resolveu.
Mais trabalho por dólar
Simplesmente é mais barato e há mais cota, então se usa mais.
A favor: o Opus 5.5 custa 4 e 20 dólares, contra 5 e 25, e as cotas do Claude Code foram aumentadas.
O que falta: preço explica por que se trabalha mais com ele, não por que ele resolve o que outros não resolveram.
Viés do usuário
Um modelo novo sempre parece melhor na primeira semana.
A favor: o efeito novidade é real, e trocar do Codex para o Claude Code muda a experiência. A própria Anthropic recomenda apagar instruções antigas a cada migração.
O que falta: trabalho com ele há duas semanas e meia, em problemas que conheço a fundo, e a diferença não fechou.
O "a favor" e o "o que falta" seguem as fontes oficiais e a pesquisa listadas no fim do artigo. O "o que falta" de cada aba é a minha interpretação.
Por que ainda volto ao professor? Porque cada uma das outras explicações dá conta de uma parte. O polimento explica o jeito como o Opus 5.5 fala. O preço explica por que o uso mais. Mas só um professor forte explica as três coisas juntas: um modelo mais barato de rodar, que chega ao nível do modelo grande e que ainda explica melhor. E do lado da OpenAI o quadro se encaixa: se o Sol 5.6 ensinou o Astra, sai um professor metódico e um aluno metódico, excelente na execução e igual ao Opus 5.5 nos índices, mas, no meu uso, mais fraco que ele em problemas que exigem compreensão.
Mitos e fatos sobre o Opus 5.5, o Codex e a diferença entre eles
Mito"A Anthropic confirmou que o Fable ensinou o Opus 5.5"
Na práticaNão. A Anthropic diz apenas que os laboratórios destilam os próprios modelos como prática e que o treinamento inclui dados sintéticos de outros modelos. A ligação específica é hipótese, minha e de outras pessoas.
Mito"A OpenAI só fez RL"
Na práticaA OpenAI chamou o GPT-5.6 Sol de modelo de nova geração, e o GPT-6 Astra foi, segundo relatos, a maior rodada de treinamento dela. A diferença que aponto está na ênfase, não em um método contra outro.
Mito"O Opus 5.5 vence o Astra em todos os índices"
Na práticaNo Sigma AI Ranking ele lidera com folga, mas só na Epoch a diferença está dentro do intervalo de confiança. O Astra lidera no Terminal-Bench-Science e no AutomationBench. A diferença que sinto está no trabalho complexo, não na tabela.
Mito"O Claude ficou para trás nos benchmarks de uso do computador"
Na práticaNo OSWorld 2.0, o Opus 5 passou o GPT-5.6 Sol. A vantagem do Codex está no produto: trabalho em segundo plano e vários agentes em paralelo.
Mito"O Opus 5 era fraco"
Na práticaEm capacidade bruta, era forte. O problema estava no comportamento: prolixidade, ampliação da tarefa e excesso de verificação, e a própria Anthropic os documentou.
Mito"Um grande professor sempre produz um bom aluno"
Na práticaO Llama 4 foi treinado a partir de um professor gigante e foi recebido com decepção, e uma pesquisa mostra que uma distância grande demais entre professor e aluno prejudica o aprendizado. Um professor forte é uma condição que ajuda, não uma garantia.
O que isso significa para o dono de um negócio que escolhe um modelo
Se você não é desenvolvedor, toda essa discussão parece distante. Não é. Em três meses, a ferramenta com que quase todo desenvolvedor ao meu redor trabalhava mudou, e depois mudou de novo. Quem tivesse prendido o negócio a um único fornecedor em julho teria perdido o Opus 5.5 em setembro. E quem se prendeu ao Claude em junho teria perdido o Codex.
A Platin Digital é OpenAI Select Partner, e os agentes que montamos são construídos com os modelos e as ferramentas que melhor servem a cada tarefa, da OpenAI, da Anthropic, do Google e de outros. Este artigo é um exemplo de por que isso importa: trabalhamos com o Codex e com o Claude na mesma semana, cada um no que faz de melhor.
Três regras que sigo:
- Não se casa com um fornecedor. O agente precisa ser construído de modo que dê para trocar o modelo que está por baixo sem refazer tudo.
- Escolhe-se o modelo por tarefa. Um problema complexo que exige compreensão e explicação vai hoje, comigo, para o Opus 5.5. Operar um computador por muito tempo em segundo plano vai para o Codex. Tarefas pequenas e repetitivas vão para um modelo pequeno, como o Claude Haiku 5.5.
- Reavalia-se a cada poucos meses. Nas suas tarefas, não em uma tabela. O que vale em outubro não necessariamente vale em janeiro.
Uma comparação ampla entre as plataformas está em ChatGPT, Gemini ou Claude para o seu negócio, o ranking completo e atualizado está no Sigma AI Ranking, e por que o criamos está neste artigo. E se os próprios conceitos ainda não estão claros, comece por o que é um LLM e o que é Computer Use.
Qual ferramenta testar primeiro para a sua tarefa?
Cinco perguntas sobre uma única tarefa. O resultado é um ponto de partida baseado na minha experiência, não um veredito.
Perguntas frequentes
O que é o Claude Opus 5.5?
O Claude Opus 5.5 é o grande modelo de linguagem da Anthropic na linha Opus, lançado em 22 de setembro de 2026. Segundo a Anthropic, ele está no nível do Claude Fable 5.1 na maior parte do trabalho, exige menos compute para rodar que o Opus 5 e custa 4 dólares por milhão de tokens na entrada e 20 na saída. No índice independente da Epoch, ele está em primeiro lugar, por uma diferença pequena sobre o GPT-6 Astra.
O Claude Opus 5.5 é melhor que o GPT-6 Astra?
No Sigma AI Ranking, que pondera várias fontes abertas, o Opus 5.5 lidera com 90,7 contra 84,0 do Astra. Em um teste isolado, como o da Epoch, os dois ficam quase empatados, e o Astra lidera em alguns testes, por exemplo no AutomationBench. No meu uso, em problemas complexos que exigem entender um sistema inteiro e explicá-lo, o Opus 5.5 é mais forte com folga. Para operar o computador em segundo plano e trabalhar em paralelo, o Codex com os modelos da OpenAI continua muito forte.
Por que os desenvolvedores migraram para o Codex nos últimos meses?
Nos círculos em que trabalho, pela combinação de modelos excelentes, o GPT-5.6 Sol e o GPT-6 Astra, com um harness que termina as tarefas em ordem e com um computer use que funciona em segundo plano e em paralelo. Ao mesmo tempo, o Opus 5 e o Sonnet 5 decepcionaram, e o Fable foi muito restrito.
Por que a Anthropic restringiu o Claude Fable?
A justificativa oficial é capacidade: a Anthropic escreveu que ampliaria o acesso quando a capacidade permitisse. Além disso, entre 12 de junho e 1º de julho o acesso ao Fable 5 ficou suspenso por causa de controle de exportação dos EUA. Minha hipótese é que parte do compute foi para o treinamento com ajuda do Fable, mas não há fonte oficial para isso.
O que é distillation, ou modelo professor?
Distillation é treinar um modelo com as saídas de um modelo mais forte, de modo que o aluno aprenda os caminhos de resolução dele. A Anthropic escreveu em fevereiro de 2026 que os laboratórios de ponta destilam os próprios modelos como rotina, e a Meta documentou isso publicamente no Llama 4. Qual modelo ensinou a geração 5.5 do Claude, a Anthropic não divulgou.
Qual modelo de IA escolher para o negócio?
Não um só. Escolhe-se por tarefa: um modelo grande para problemas complexos e decisões, um modelo pequeno e barato para tarefas repetitivas, e uma ferramenta com bom computer use para tarefas no computador. E reavalia-se a cada poucos meses, nas suas tarefas, porque a liderança entre os fornecedores muda rápido.
Fontes
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- https://www.anthropic.com/news/redeploying-fable-5
- https://support.claude.com/en/articles/15424964-claude-fable-models-on-your-plan
- https://www.anthropic.com/news/claude-sonnet-5
- https://www.anthropic.com/news/claude-opus-5
- https://www.anthropic.com/claude-fable-and-mythos-5-1
- https://www.anthropic.com/news/claude-opus-5-5
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- https://www.anthropic.com/claude-sonnet-5-5
- https://www.anthropic.com/claude-sonnet-5-5-system-card
- https://www.anthropic.com/claude-haiku-5-5
- https://www.anthropic.com/news/detecting-and-preventing-distillation-attacks
- https://platform.claude.com/docs/en/build-with-claude/prompt-engineering/prompting-claude-opus-5
- https://platform.claude.com/docs/en/models/opus-5-5/migration-guide
- https://deploymentsafety.openai.com/gpt-5-6-preview
- https://deploymentsafety.openai.com/gpt-5-6
- https://deploymentsafety.openai.com/gpt-6-astra
- https://deploymentsafety.openai.com/gpt-6-1-sol
- https://www.latent.space/p/ainews-openai-launches-gpt-56-solterraluna
- https://venturebeat.com/technology/welcome-to-the-agi-era-openai-launches-gpt-6-astra
- https://developers.openai.com/codex/app/computer-use
- https://metr.org/blog/2026-06-26-gpt-5-6-sol/
- https://metr.org/blog/2026-09-22-claude-opus-5-5/
- https://x.com/EpochAIResearch/status/2105673716185378845
- https://benchlm.ai/benchmarks/osworld2
- https://the-decoder.com/gpt-5-6-sol-cheats-on-software-tests-more-than-any-model-before-it/
- https://www.mindstudio.ai/blog/claude-opus-5-mixed-reception
- https://www.productcompass.pm/p/claude-opus-5-the-best-opus-yet-once
- https://www.cnbc.com/2026/05/06/anthropic-ceo-dario-amodei-says-company-crew-80-fold-in-first-quarter.html
- https://arxiv.org/abs/2504.13837
- https://arxiv.org/abs/2501.12948
- https://arxiv.org/abs/2505.24864
- https://arxiv.org/abs/2510.13786
- https://arxiv.org/abs/1902.03393
- https://ai.meta.com/blog/llama-4-multimodal-intelligence/


